“Xanadu” é um musical lançado em 1980 que mistura romance, mitologia grega e a vibrante cultura roller disco da virada da década. Dirigido por Robert Greenwald e escrito por Richard Christian Danus e Marc Reid Rubel, o filme acompanha a jornada de um jovem artista inseguro que reencontra o entusiasmo pela própria criatividade ao cruzar o caminho de uma figura misteriosa e inspiradora. Entre luzes neon, números musicais e referências à fantasia clássica, a produção buscou unir o glamour do passado hollywoodiano com a energia pop de seu tempo, resultando em uma obra que, mesmo recebida com resistência, acabou encontrando seu espaço na memória afetiva de muitos espectadores.
A história gira em torno de Sonny Malone, um ilustrador que trabalha produzindo capas de álbuns e se sente frustrado com os rumos de sua carreira. Sua vida muda quando ele conhece Kira, uma jovem enigmática que surge de maneira quase mágica e o incentiva a acreditar novamente em seus sonhos. Logo se revela que Kira é, na verdade, Terpsícore, uma das nove musas da mitologia grega, enviada para inspirar a criação artística. Ao lado do ex-músico de big band Danny McGuire, Sonny embarca na ideia de transformar um antigo auditório em uma casa noturna chamada Xanadu, um espaço onde música, dança e imaginação possam coexistir. No entanto, o romance entre Sonny e Kira esbarra nas regras do mundo divino, trazendo um conflito entre o amor humano e o destino imortal.
O elenco é um dos pontos centrais da produção. Olivia Newton-John assume o papel de Kira, conduzindo boa parte do encanto musical do filme com sua presença carismática e números que misturam doçura e brilho pop. Michael Beck interpreta Sonny, o artista sonhador que serve como fio condutor da narrativa, enquanto Gene Kelly, em seu último papel no cinema, vive Danny McGuire, estabelecendo uma ponte simbólica entre a era clássica dos grandes musicais de Hollywood e a estética vibrante dos anos 1980. A própria presença de Kelly confere ao filme um ar nostálgico, como se “Xanadu” dialogasse com duas gerações distintas do espetáculo musical.
A trilha sonora desempenha papel fundamental na identidade do filme, combinando canções interpretadas por Olivia Newton-John com músicas da Electric Light Orchestra, além de participações de artistas como Cliff Richard e The Tubes. O álbum alcançou grande sucesso comercial e ajudou a manter viva a memória do projeto, mesmo quando a recepção crítica foi amplamente negativa. Na época do lançamento, “Xanadu” foi considerado um fracasso de crítica e não obteve o retorno financeiro esperado nos Estados Unidos, sendo alvo de avaliações duras que apontavam fragilidades no roteiro e na condução narrativa.
Curiosamente, a repercussão negativa do filme contribuiu para a criação do Framboesa de Ouro, premiação satírica dedicada aos piores do cinema, da qual “Xanadu” se tornou um dos símbolos iniciais. Ainda assim, com o passar dos anos, a obra foi sendo redescoberta sob outro olhar: o de um espetáculo assumidamente exagerado, colorido e camp, que captura como poucos o espírito de sua época. Entre patins, luzes cintilantes e amores impossíveis, “Xanadu” permanece como um retrato peculiar de um momento em que o cinema tentou reinventar o musical clássico sob a batida pulsante da cultura pop dos anos 80.

Postar um comentário
Obrigado por comentar!!!