Barbara Stanwyck, reunia diversos
adjetivos que a diferenciava das outras atrizes: era uma atriz séria, pontual,
simpática e que raramente dava dor de cabeça aos estúdios. Uma das poucas
atrizes que era unanimidade nos bastidores dos estúdios. Era amada e respeitada
por toda a equipe: desde a parte técnica, passando pelos colegas de atuação e
pelos diretores e até mesmo pelos chefões de estúdio. Durante sua carreira, foi
dirigida por nomes como Frank Capra, Fritz Lang, Douglas Sirk, Billy Wilder, Cecil
B. DeMille, King Vidor, Howard Hawks, Preston Sturges, Anatole Litvak, Anthony
Mann, Samuel Fuller. Seu carisma gigante. Mesmo estrelando um filme mediano, as
pessoas iam aos cinemas apenas para vê-la e em algumas vezes, o seu desempenho,
salvava da ruína um filme que tinha tudo para fracassar.

Seu nome de batismo era Ruby
Catherine Stevens, a mais nova de cinco irmãos. Sua infância foi bastante
triste e dramática: aos dois anos perdeu sua mãe e um tempo depois ela e seus
irmãos foram abandonados pelo pai. Chegou a ser criada por uma família
conhecida de seus pais, por sua irmã mais velha, chamada Mildred, além de ter
passado por lares adotivos. Sua irmã Mildred, era corista e com ela, Stanwyck
viajou em diversas turnês. Sua paixão pelo cinema, surgiu ao ver os filmes
estrelados por Pearl White, a primeira mulher a estrelar filmes de ação na
história do cinema.

Aos 14 anos, abandonou a escola
para trabalhar em uma loja de departamentos, omitindo a sua idade. Logo depois,
trabalhou como arquivista em uma central telefônica. Em 1923, após fazer alguns
testes, entra para a Ziegfeld Follies, uma das mais prestigiadas produções
teatrais da Broadway. O sucesso na Broadway viria em 1927, aos estrelar uma
peça chamada “Burlesque”. Sua primeira aparição no cinema, ocorreu em 1927, no
filme “Broadway Nights”, em um papel não creditado. Em 1929, faria os filmes
“Entre Portas Fechadas” (The Loked Door) e “Amor de Satã” (Mexicali Rose),
ambos fracassos de público e crítica.

Em 1930, mesmo após dois
fracassos, foi escolhida por Frank Capra para estrelar “A Flor dos Meus Sonhos”
(Ladies of Leisure), graças a esse filme, Stanwyck tornou-se popular e firmaria
além de uma parceria, uma grande amizade com Frank Capra, pessoa decisiva para
o sucesso no início de sua carreira. Após estrelar entre 1931 e 1933, filmes
como “Triunfos de Mulher” (Night Nurse), “A Mulher Miraculosa” (The Miracle
Woman) e “Mulher Proibida” (Forbidden), sendo esses dois últimos novamente sob
direção de Frank Capra, Stanwyck entraria na fase mais popular de sua carreira.

Após mais uma parceria com Capra
em “O Úitimo Chá do General Yen” (The Bitter Tea of General Yen), Stanwyck
estrelou “Mulheres do Mundo” (Ladies They Talk About), para logo depois chegar
em um de seus papéis mais memoráveis em “Serpente de Luxo” (Baby Face). No
filme, Stanwyck interpreta uma mulher que cansada de ser usada pelos homens,
decide virar o jogo e usá-los para ascender socialmente. “Serpente de Luxo”,
tornou-se um dos filmes mais emblemáticos do período Pre-Code e muito deve-se
ao desempenho de Stanwyck.
Em 1937, faria “Stella Dallas”,
uma refilmagem sonora de um filme mudo produzido em 1925. Sob a direção de King
Vidor, Stanwyck mostrou um de seus melhores desempenhos, ao interpretar uma mãe
sofredora e a cena final do filme,
entrou para a história do cinema. Por esse desempenho, recebeu sua primeira
indicação ao Oscar, mas acabou perdendo para Luise Rainer em “Terra dos Deuses”
(The Good Earth).
A década de 40, foi sem dúvidas o
ápice de sua carreira. Stanwyck brilhou em diversos filmes que iam desde o
drama a comédia e até mesmo faroestes. O interessante é que nos faroestes que
ela participou, na maioria das vezes ela interpretava mulheres realmente
fortes, que seguravam a arma e sabiam atirar e se defender e batiam sempre de
frente com os homens. Isso ia contra o que o gênero pregava em seu auge, onde
na maioria das vezes as mulheres eram retratadas como ingênuas, fracas e
incapazes de se defenderem e sempre a espera de um homem que as salvassem.
Em 1940, estrelaria “Lembra-se Daquela
Noite?” (Remeber the Night), uma comédia
natalina, com piceladas de drama. O filme foi um grande sucesso e traria para
Stanwyck, mais uma grande parceria, desta vez com o ator Fred MacMurray, com
quem faria mais três filmes.
Em 1941, se reuniria pela última vez com o amigo Frank Capra, para filmar
“Adorável Vagabundo” (Meet John Doe), como forma de gratidão pelo sucesso no
início de carreira. Ao todo fizeram cinco filmes. Ainda em 1941, faria “As Três Noites de Eva”
(The Lady Eve) e “Bola de Fogo” (Ball of Fire), duas comédias que fariam
bastante sucesso. Por “Bola de Fogo”, recebeu sua segunda indicação ao Oscar,
perdendo para Joan Fontaine em “Suspeita”.

Em 1944, interpretaria a ardilosa
Phyllis Dietrichson, em “Pacto de Sangue” (Double Indemnity), ao lado de Fred
MacMurray e Edward G. Robinson e sob direção de Billy Wilder. Stanwyck havia
sido a primeira escolha para o papel, mas estava relutante em aceitar, por ser
uma vilã imoral, manipuladora e calculista. Até então, ela nunca havia
interpretado nada parecido em sua carreira. Aceitou o papel, após Billy Wilder
lhe desafiar, perguntando se ela era um rato ou uma atriz. Assim que respondeu
que era uma atriz, Billy wilder lhe disse: “Então aceite o papel”. E ela
aceitou o papel, que lhe imortalizaria na história do cinema e lhe daria mais
uma indicação ao Oscar, perdendo para Ingrid Bergman em “À Meia Luz”. Sua
última indicação ao Oscar viria em 1948 por “A Vida Por Um Fio” (Sorry, Wrong
Number), perdendo para Jane Wyman em “Belinda” (Johnny Belinda).

Em 1946 estrelaria, “O Tempo Não
Apaga” (The Strange Love of Martha Ivers), cujo bastidores mostram como uma
atriz que estava envelhecendo era tratada pelos estúdios. No filme, Barbara
interpreta Martha Ivers, uma de suas melhores vilãs, mas Stanwyck neste filme,
tem o tempo de tela bastante reduzido em detrimento a então estrela em ascensão
Lizabeth Scott. O plano de um dos produtores que namorava com Lizabeth, era
fazer com que ela chamasse mais a atenção do que Stanwyck, mas o plano não deu
certo. Mesmo com o tempo de tela reduzido, Stanwyck fez um desempenho
memorável. Ela estava ciente do que estava ocorrendo e decidiu ser apenas a profissional
que sempre foi. Esse filme também marca a estreia de Kirk Douglas, ator com o
qual Stanwyck teve alguns atritos durante as gravações, mas depois tornaram-se
grandes amigos.

No final da década de 40 e toda a
década de 50, Stanwyck estrelou variados estilos de filmes, mas ela se
popularizou nos faroestes, nos filmes noir, onde muitas vezes interpretava
mulheres em perigo ou à beira da loucura e em melodramas. Nos melodramas, fez
uma inesquecível parceria com o mestre do gênero, Douglas Sirk. Ambos fizeram:
“Desejo Atroz” e “Chamas que Não se Apagam”. Seu último filme foi “Quando
Descem as Sombras” (The Night Walker) em 1964.
Ainda na década de 50, migrou
para a televisão, chegando a ter seu próprio show televisivo, transmitido entre
1960 e 1961. Mas sua aclamação na televisão ocorreria ao protagonizar “The Big
Valley”, entre 1965 e 1969, no total de quatro temporadas. Em 1983,
participaria de “Os Pássaros Feridos” em um desempenho tocante.
Apesar de nunca ter ganho um
Oscar, foi na televisão que Stanwyck teve seu talento reconhecido e premiado. Ganhou
um Globo de Ouro em 1984 por "Os Pássaros Feridos", além de ter sido
indicada cinco vezes ao Emmy, ganhando quatro. Na década de 60 ganhou duas
vezes seguidas (1967 e 1968) o prêmio de atriz mais popular do ano, feito pela
revista "Photoplay".
Na década de 80 foi constantemente homenageada e reverenciada, ganhando prêmios
honorários. Recebeu um Oscar Honorário em 1982 pelo conjunto de sua obra e
importância para o cinema. Barbara Stanwyck faleceu em 20 de janeiro de 1990,
aos 82 anos. Seu último desejo foi que jogassem suas cinzas em Long Pine, local
onde filmou diversos faroestes.
“Eu tenho meu trabalho. As
pessoas falam sobre minha ‘carreira’. Acho essa palavra muito pomposa. Era um
trabalho e eu sempre me senti muito previlegiada por fazer algo que amo e ser
paga por isso. Eu ainda estou ansiosa para viver. Eu acordo ansiosa por cada
dia. Aconteça o que acontecer, estou viva! Eu estou existindo. Eu faço parte
disso.”
Barbara Stanwyck, reunia diversos adjetivos que a diferenciava das outras atrizes: era uma atriz séria, pontual, simpática e que raramente...