NOVELAS ESQUECIDAS - OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO (1980)
Exibida pela TV Globo entre 21 de janeiro e 23 de maio de 1980, a telenovela "Olhai os Lírios do Campo" trouxe para a televisão a adaptação do clássico romance de Érico Veríssimo. Escrita por Geraldo Vietri, posteriormente substituído por Wilson Rocha, e dirigida por Herval Rossano, a produção contou com 108 capítulos e marcou a transferência de Vietri para a Globo após anos de destaque na TV Tupi. No elenco, nomes como Nívea Maria, Cláudio Marzo, Thaís de Andrade e Jardel Filho.
A trama se passa em Porto Alegre nos anos 1930 e acompanha a trajetória de Eugênio Fontes, um médico recém-formado que carrega um profundo sentimento de inferioridade por sua origem humilde. Ambicioso e em busca de ascensão social, ele acaba se casando com Eunice, uma mulher rica e influente, mesmo estando apaixonado por Olívia, sua colega de profissão. O casamento garante a Eugênio prestígio e estabilidade, mas o afasta de sua verdadeira felicidade, mergulhando-o em dilemas pessoais e profissionais.
Enquanto isso, Olívia deixa a cidade e se muda para Nova Itália, onde dedica sua vida a ajudar comunidades carentes. Três anos depois, retorna a Porto Alegre com planos de abrir um consultório médico, trazendo consigo a pequena Ana Maria, filha de Eugênio, cuja paternidade permanece em segredo. Quando os caminhos dos dois se cruzam novamente, Eugênio se vê dividido entre o arrependimento e a chance de reatar o amor perdido, enfrentando as consequências de suas escolhas.
A adaptação para a televisão apresentou desafios, especialmente pela riqueza descritiva do texto de Érico Veríssimo. As divergências entre Vietri e o diretor Herval Rossano acabaram levando à saída do autor antes do fim da novela, o que trouxe mudanças criativas na condução da história. Ainda assim, a obra conseguiu manter a força de seus temas centrais, explorando a ambição, os dilemas de classe social e a busca pela verdadeira identidade.
As gravações aconteceram no Rio de Janeiro, com externas em Petrópolis, Niterói e bairros como Santa Teresa e Alto da Boa Vista. Para recriar Nova Itália, foi construída uma cidade cenográfica em Guaratiba, inspirada na arquitetura típica do Rio Grande do Sul da década de 1920. O clima nostálgico e melancólico da produção foi reforçado pela música-tema "Esses Moços (Pobres Moços)", interpretada por Fábio Júnior, que embalou os momentos decisivos da trama.
Com sua mistura de romance, crítica social e conflitos existenciais, "Olhai os Lírios do Campo" também foi exibida em Portugal em 1982.
Exibida pela TV Globo entre 21 de janeiro e 23 de maio de 1980, a telenovela "Olhai os Lírios do Campo" trouxe para a televisão a ...
IN MEMORIAM - BEATRIZ SEGALL
Beatriz Segall nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1926, e desde cedo foi marcada por uma formação refinada, com estudos de francês, piano e costura. Mesmo vinda de uma família tradicional, que via o teatro como ambiente pouco respeitável, a jovem se encantou pelos palcos e começou a trilhar o caminho que a transformaria em uma das grandes damas da dramaturgia brasileira.
Antes de se dedicar às artes, trabalhou como professora de francês no fim dos anos 1940, mas o destino a levaria para longe da sala de aula. Nos anos 1950, conquistou uma bolsa para estudar teatro e literatura em Paris e mergulhou definitivamente na carreira artística. Lá, estudou com Henriette Morineau e aprofundou o amor pelo palco, que guiaria toda a sua trajetória.
Em 1954, casou-se com Maurício Klabin Segall, neto do pintor Lasar Segall, e formou uma família com três filhos. Nesse período, interrompeu a carreira por alguns anos, mas voltou em 1964, pronta para assumir seu espaço nas artes brasileiras. Esse retorno marcou o início de uma fase intensa e produtiva, consolidando seu nome entre os grandes da cena nacional.
No teatro, brilhou em mais de 40 peças, com atuações em montagens como Hamlet, Frank V, A Longa Noite de Cristal e Três Mulheres Altas. Recebeu prêmios importantes, como o Governador do Estado, Shell, Mambembe e novamente Shell de Teatro, confirmando a força de sua presença nos palcos.
No cinema, fez papéis pontuais, mas foi na televisão que Beatriz alcançou o reconhecimento popular. Ficou marcada como uma das maiores vilãs da teledramaturgia: primeiro com Lourdes Mesquita em Água Viva (1980) e, sobretudo, como a inesquecível Odete Roitman em Vale Tudo (1988). A pergunta “Quem matou Odete Roitman?” entrou para a história da TV brasileira, tornando-se parte da memória coletiva do país.
Após a novela Anjo Mau (1997), Beatriz declarou que não faria mais longas tramas televisivas, preferindo se dedicar ao teatro e a participações pontuais. Mesmo assim, abriu exceções em produções como Bicho do Mato (2006), Lado a Lado (2012) e na série Os Experientes (2015), sempre deixando sua marca de elegância e intensidade.
Seu talento foi reconhecido oficialmente em 2009, quando recebeu a comenda da Ordem do Ipiranga, homenagem do governo de São Paulo. Nos últimos anos, enfrentou problemas de saúde relacionados à doença de Alzheimer e faleceu em 5 de setembro de 2018, em São Paulo, aos 92 anos.
Beatriz Segall deixou um legado profundo para a cultura brasileira. Sua presença imponente, sua entrega artística e a construção de personagens memoráveis fizeram dela um nome eterno das artes cênicas. Odete Roitman pode ter sido sua personagem mais lembrada, mas sua carreira revela muito mais: uma vida inteira dedicada ao palco, à televisão e à arte como expressão maior.
FONTES
https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/9146-beatriz-segall
https://memoriaglobo.globo.com/perfil/beatriz-segall/noticia/beatriz-segall.ghtml
Beatriz Segall nasceu no Rio de Janeiro, em 25 de julho de 1926, e desde cedo foi marcada por uma formação refinada, com estudos de francê...
AUTOCHROME - O PROCESSO DE FOTOGRAFIA COLORIDA DOS IRMÃOS LIMIÈRE
O Autochrome Lumière foi um inovador processo de fotografia colorida criado pelos irmãos franceses Auguste e Louis Lumière. Patenteado em 1903 e lançado comercialmente em 1907, representou o método de fotografia em cores mais viável e amplamente utilizado até a chegada dos filmes em cores no final da década de 1930.
A técnica baseava-se num processo aditivo de placa de vidro com mosaico, composto por grãos microscópicos de fécula de batata tingidos em vermelho-alaranjado, verde e azul-violeta, espalhados sobre uma placa de vidro e preenchidos com fuligem, sobre os quais era aplicada uma emulsão pancromática.
A fabricação dessas placas era complexa: os grãos eram peneirados para selecionar tamanhos entre 10 e 15 mícrons, tingidos e misturados; depois eram compactados sob alta pressão e cobertos com emulsão fotográfica. A própria placa era inserida na câmera com o lado de vidro voltado para a lente, e uma máscara amarela era utilizada durante a exposição para corrigir a sensibilidade excessiva ao azul da emulsão.
Devido à filtragem de luz pelos grãos coloridos e à máscara, os tempos de exposição eram muito longos — cerca de trinta vezes maiores que os das placas monocromáticas — tornando a fotografia espontânea quase impossível, exigindo o uso de tripé e limitando fotografias de objetos em movimento.
Mesmo sendo caro e desafiador de produzir, o Autochrome era relativamente simples de usar e foi amplamente adotado por fotógrafos amadores. Sua estética singular — uma qualidade difusa e sonhadora, quase pictórica — tornou-se parte de seu apelo artístico, especialmente no clima nostálgico de imagens impressionistas.
O Autochrome Lumière foi um inovador processo de fotografia colorida criado pelos irmãos franceses Auguste e Louis Lumière. Patenteado em 19...
LIVRO - VIAGEM AO CINEMA MUDO
Viagem ao Cinema Mudo
Autor: Rodrigo Veninno
O cinema mudo foi um período de grande inovação artística e técnica, embora ainda envolto em muitos mistérios e dificuldades de documentação. Nessa época, filmes eram acompanhados por música ao vivo e dependiam da expressividade dos atores, do uso criativo dos cenários e dos intertítulos para comunicar a narrativa. Foi nesse contexto que se consolidaram elementos fundamentais da linguagem cinematográfica, como a montagem, o enquadramento e a narração visual, que ainda hoje influenciam o cinema. A transição para o cinema sonoro teve início no fim da década de 1920, sendo marcada pelo lançamento de “O Cantor de Jazz” em 1927.
Este livro propõe um olhar diferente sobre o cinema mudo, focando em aspectos pouco abordados, como a preservação de filmes, técnicas de colorização de negativos e curiosidades como os incêndios que destruíram acervos inteiros. Em vez de repetir histórias já amplamente exploradas sobre ícones como Chaplin e Buster Keaton, o autor opta por investigar filmes perdidos e redescobertos, destacando episódios menos conhecidos e muitas vezes esquecidos dessa era fascinante.
Peso: 0,2805264 kg
Dimensões: 16,8 × 23 × 0,92 cm
Nº Páginas: 164
Capa: Fosco, COM orelha
Impressão: Preto e Branco (Papel Avena / Pólen)
Tamanho: 16,8 x 23 cm
Editora: UICLAP
Autor(a): Rodrigo Veninno
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Viagem ao Cinema Mudo Autor: Rodrigo Veninno O cinema mudo foi um período de grande inovação artística e técnica, embora ainda envolto em ...
FOTÓGRAFAS - JULIA MARGARET CAMERON
Nascida em 11 de junho de 1815, em Calcutá, Julia Margaret Pattle, mais tarde conhecida como Julia Margaret Cameron, tornou-se uma das retratistas mais marcantes do século XIX. Sua trajetória é uma fusão de destino e inspiração, marcada por um olhar sensível que capturava a alma de quem posava diante de sua câmera.
Filha de James Peter Pattle, oficial da Companhia Britânica das Índias Orientais, e de Adeline Marie de l’Étang, de origem aristocrática francesa, Julia cresceu em um ambiente que unia influências europeias e orientais. Esse universo plural moldou sua sensibilidade artística e a preparou para o papel inovador que viria a desempenhar na fotografia.
Em 1838, casou-se com Charles Hay Cameron, um jurista reformista vinte anos mais velho. O casal teve cinco filhos biológicos e adotou outras cinco crianças, além de acolher Mary Ryan, uma menina irlandesa que não apenas foi criada por Julia, mas também se tornou um de seus modelos recorrentes. Esse ambiente familiar ampliado e afetuoso refletia-se em sua obra, onde muitas vezes apareciam figuras próximas a ela.
Foi apenas aos 48 anos que Julia recebeu sua primeira câmera, presente de sua filha e do genro, quando vivia na Ilha de Wight. Esse gesto simples desencadeou uma revolução pessoal: a descoberta de uma vocação intensa e arrebatadora. Em pouco tempo, ela se dedicou a retratar não apenas familiares, mas também algumas das figuras mais influentes da era vitoriana.
Durante apenas doze anos de carreira, Julia produziu cerca de 900 imagens. Sua abordagem era ousada: retratos em close-up, foco suave, iluminação dramática e composições carregadas de simbolismo literário, religioso e mitológico. Rompendo com os padrões técnicos da época, sua fotografia parecia buscar não a exatidão do detalhe, mas a essência espiritual de seus modelos.
Entre suas obras, destacam-se álbuns como The Norman Album, que reuniu retratos de intelectuais e artistas de renome, incluindo Charles Darwin, Alfred Tennyson, John Herschel e Henry Taylor. Embora enfrentasse críticas de seus contemporâneos, que consideravam seu estilo “amador” por desafiar convenções, o tempo consagrou sua visão como pioneira e profundamente influente.
Julia Margaret Cameron faleceu em 26 de janeiro de 1879, em Kalutara, no então Ceilão britânico, atual Sri Lanka. Seu legado permanece vivo em cada retrato que transcende o instante e se converte em poesia visual. Sua busca pela beleza arrebatada não apenas consolidou seu lugar na história da fotografia, mas também continua a inspirar gerações de artistas e amantes da imagem.
Nascida em 11 de junho de 1815, em Calcutá, Julia Margaret Pattle, mais tarde conhecida como Julia Margaret Cameron, tornou-se uma das retra...


























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