O UNIVERSO DO CINEMA GÂNGSTER

 

O cinema gângster é um subgênero do cinema policial, onde gangues e organizações criminosas possuem destaque. Esse subgênero tornou-se popular durante a década de 30, principalmente na era Pre-Code. O cinema gângster em sua maioria glamorizava a vida dos criminosos, mostrando-os como ricos, prósperos e rodeados de mulheres. Era bastante comum nesses filmes cenas de misoginia.

Embora existam documentados filmes que flertam com a temática gângster produzidos no cinema mudo e até mesmo no início do cinema sonoro, foi entre 1931 e 1932, com a produção dos filmes: “Scarface”, “Alma no Lodo” (Little Cesar) e “O Inimigo Público” (The Public Enemy), o início do cinema gângster como conhecemos. Os três permanecem como representantes desse subgênero. Muitas vezes, os filmes gângster abordavam contrabando de bebidas, já que na época, até meados de 1933 a Lei Seca estava em voga.  Com a abolição da Lei Seca, os filmes gângster passaram a focar em seus enredos: assaltos a bancos e guerra entre gangues. Criminosos de áreas rurais também ganharam destaque. Haviam filmes gângster que focavam na rivalidade entre os gangsteres e a policia americana.

Era comum durante a ascensão do cinema gângster, serem produzidos filmes sobre criminosos reais como: Al Capone, John Dillinger, Baby Face Nelson, Lucky Luciano, entre outros. Muitas vezes os estúdios não citavam diretamente os criminosos em suas produções, mas alguns aspectos presentes nos filmes, faziam o público identificar sobre quem os filmes abordavam.

A Warner foi o estúdio que mais popularizou-se na produção de filmes gângster. "A Floresta Petrificada" (The Petrified Forest), "Balas ou Votos" (Bullets or Ballots), "Irmão Orquídea" (Brother Orchid), "Fúria Sanguinária" (The White Heat), além dos já mencionados “Alma no Lodo” (Little Cesar) e “O Inimigo Público” (The Public Enemy), foram alguns dos títulos produzidos pelo estúdio. A Warner também fez com que alguns atores se tornassem populares em filmes gângster. Impossível pensar em filmes gângster e não lembrar-se de James Cagney, Edward G. Robinson, Humphrey Bogart e George Raft. Com a ascensão dos filmes sobre gangsteres, iniciou-se uma caça às bruxas em Hollywood. A Legião da Decência começou a pressionar Hollywood para que a violência nos filmes acabasse. Com isso, o Código Hays e o Código de Produção, administrados por Will H. Hays e Joseph Breen, tornaram-se encarregados de censurarem os filmes de acordo com suas ideologias sociais e religiosas.

Mesmo com a chegada do Código de Produção, os filmes gângster continuaram a ser produzidos, porém os criminosos jamais poderiam ser glamorizados ou glorificados e no final eles deveriam pagar por seus crimes, para mostrar à audiência que o crime não compensava. Em 1934, os gangsteres John Dillinger, Pretty Boy Floyd e Baby Face Nelson, foram assassinados por agentes especiais do FBI, que eram conhecidos como G-Men. 

O acontecimento tornou-se uma sensação a ponto de ser produzido um filme sobre esses agentes. “G-Men”, considerado um filme gângster, mas centrado no FBI, foi lançado em 1935. O filme traz James Cagney, desta vez como um agente que luta contra três mafiosos que remetem a Dillinger, Floyd e Nelson. Com esse filme, surgiram uma leva de filmes que elevavam o FBI, mas eles sofreram com a censura, pois eram considerados violentos da mesma forma que os filmes sobre gangsteres.

Com a mão forte da censura sobre seus filmes, Hollywood começou a produzir bem menos filmes sobre gangsteres a partir da década de 40. Com a queda dos filmes sobre gangsteres, ocorreu a ascensão dos filmes Noir. Na década de 60, com o fim da censura em Hollywood, os filmes gângster voltaram a ser produzidos. “Bonnie e Clyde” de 1967, marcaria o retorno triunfante do subgênero em Hollywood. Em 1972, “O Poderoso Chefão” (The Godfather), imortalizaria o subgênero, influenciando os filmes que seriam lançados posteriormente.

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