JOYCE BRYANT - A DIVA PERDIDA

Procurando fotos para um artigo sobre Dorothy Dandridge, deparei-me com a foto de uma mulher bastante enigmática e fascinante. Ao pesquisar na internet, descobri seu nome: Joyce Bryant e descobri também a sua fascinante história e decidi compartilhar com vocês. Joyce Bryant é uma cantora (ela ainda vive) e conquistou a fama como performer de teatros e boates entre as décadas de 40 e 50. É considerada um dos primeiros símbolos sexuais afro-americanos, chegando a ser chamada de "A Monroe Negra".


Nascida Ione Emily Bryant, sendo a terceira de oito filhos, tinha a ambição de ser uma professora de sociologia, mas seus sonhos mudaram quando aos 14 anos fugiu para casar-se. O casamento não durou muito. Seu talento para o canto apareceria durante uma visita aos primos feita em 1946, ao aceitar participar de um canto improvisado em uma boate. Em uma entrevista ela relata o ocorrido: "Eu descobri que eu era a única a cantar. Poucos minutos depois, o dono do clube me ofereceu 25 dólares para subir no palco, e eu aceitei porque eu precisava do dinheiro para voltar para casa."


Durante a década de 40, sua carreira ascendeu com uma série de shows por 400 dólares a apresentação. Foi nesse período que ela adquiriu o visual que lhe consagrou: o cabelo prateado e os vestidos de sereia justos e costas nuas, com esse visual, ganhou a alcunha de "A Monroe Negra". Na década de 50, algumas de suas músicas foram banidas das estações de rádios, por serem consideradas sensuais demais. 


Ela também foi uma das primeiras cantoras negras a falar abertamente sobre discriminação racial e criticar as práticas raciais de cobranças nas boates. Foi a primeira artista negra a se apresentar em um hotel em Miami Beach, mesmo sob ameaças da Ku Klux Klan. No final da década de 50, após ser agredida por um homem a quem recusou os avanços e ter problemas na garganta, decidiu largar tudo e passou a se dedicar à Igreja Adventista. 


Mesmo fazendo parte da Igreja Adventista, ela continuou a fazer shows, mas usando seu tom natural de cabelo, nenhuma maquiagem e roupas comportadas, para arrecadar fundos para ajudar a população negra. Após sofrer uma desilusão religiosa, quando cobrou uma posição da Igreja Adventista contra as práticas discriminatórias, Bryant acabou retornando para os shows. Chegou a ser instrutora vocal, tendo clientes como Jennifer Holliday, Phyllis Hyman e Raquel Welch e durante a década de 60, chegou a cantar ópera. No cinema, teve algumas de suas participações em filmes cortadas devido a segregação racial e mesmo tendo sido a primeira escolha do diretor Otto Preminger para estrelar "Carmen Jones", acabou perdendo o papel para Dorothy Dandridge.






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