Poucas figuras no cinema e na televisão brasileira são tão queridas quanto Zezé Macedo. Dona de um humor inconfundível e uma carreira que atravessou décadas, ela se tornou um ícone da comédia nacional — uma atriz capaz de provocar risadas e, ao mesmo tempo, conquistar respeito por sua dedicação à arte. Sua trajetória é um retrato da força feminina em um meio que, muitas vezes, limitava as mulheres a papéis secundários.
Nascida em 6 de maio de 1916, em Silva Jardim (então Capivari), no Rio de Janeiro, Zezé Macedo mostrou talento desde cedo. Aos quatro anos, já encantava plateias ao interpretar “As Pastorinhas” no teatro. Apesar de sua vocação precoce, afastou-se do palco ao casar-se aos quinze anos, vivendo um período de perdas e recomeços após a morte do filho. Trabalhou como escriturária e funcionária pública, mas o destino a conduziu novamente ao mundo artístico — primeiro através da poesia, depois pelo rádio, onde começou a ganhar destaque como declamadora.
Na década de 1950, Zezé publicou o livro “Coração Profano”, revelando sua sensibilidade como poetisa. Ao mesmo tempo, dava seus primeiros passos no cinema, estreando nas chanchadas que marcaram época. Em “De Vento em Popa” (1957), interpretou uma cantora de ópera, rompendo com o estereótipo de empregadas domésticas que o cinema costumava lhe impor. Sua versatilidade brilhou em produções como “O Homem do Sputnik” (1959) e “Esse Milhão É Meu” (1959), ao lado de nomes consagrados como Oscarito, consolidando-a como uma das maiores atrizes cômicas do país.
Com o fim das chanchadas, Zezé encontrou na televisão um novo espaço para seu humor refinado. Na Globo, participou de programas inesquecíveis e deu vida a personagens que entraram para o imaginário popular. Entre eles, a engraçada Dona Bela, da “Escolinha do Professor Raimundo”, e a carismática Dona Carochinha, do “Sítio do Picapau Amarelo”. Seu rosto, sua voz e seu jeito peculiar de falar tornaram-se imediatamente reconhecíveis para o público.
Mesmo nos últimos anos, Zezé Macedo nunca deixou de trabalhar. Enfrentava problemas de saúde, mas mantinha o mesmo entusiasmo pelos palcos e câmeras. Em 26 de agosto de 1999, sofreu um derrame cerebral e foi internada, vindo a falecer em 8 de outubro daquele ano, aos 83 anos. Sua partida encerrou uma carreira de mais de cem filmes e inúmeras participações na TV, um feito que a colocou no livro dos recordes do cinema brasileiro.
Zezé Macedo deixou um legado que vai muito além do riso. Foi admirada por colegas como Oscarito, que a chamava de a maior comediante do país, e por Grande Otelo, que a apelidou de “Carlitos de saia”. Sua história inspirou peças, homenagens e memórias carinhosas, mostrando que seu talento ultrapassou gerações. Zezé foi, e continua sendo, a grande dama do humor brasileiro.

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