A MORTE DE DRÁCULA (1921) - A PRIMEIRA APARIÇÃO DO PERSONAGEM NO CINEMA

 

"A Morte de Drácula" (Drakula halála), dirigido por Károly Lajthay e lançado em 1921, é uma das primeiras — se não a primeira — aparições cinematográficas de um vampiro chamado Drácula. Embora o filme não siga fielmente o romance de Bram Stoker, sua importância histórica no cinema de horror é inegável.

A produção teve cenas externas filmadas nos arredores de Viena e cenas de estúdio no Corvin Studio, em Budapeste. No roteiro, Lajthay contou com a colaboração de Mihály Kertész — que mais tarde ficaria famoso como Michael Curtiz, diretor clássico de Hollywood. A direção de fotografia ficou a cargo de Eduard Höesch e Lajos Gasser, nomes proeminentes da época.

A trama, baseada em uma novelização do roteiro, foge completamente da estrutura do romance de Stoker. A protagonista é uma jovem costureira chamada Mary Land, que visita seu pai em um asilo psiquiátrico. Lá, ela encontra um paciente que se apresenta como “Drakula” e afirma ser imortal. A narrativa se desenrola com sequestros, cerimônias misteriosas em um castelo e fugas dramáticas, tudo permeado por símbolos como o crucifixo.

No desfecho, Mary acorda no asilo sem clareza se tudo aconteceu de verdade ou se foi apenas um pesadelo. Drakula, por sua vez, desafia um interno a atirar nele para provar sua imortalidade — é atingido no coração e morre. Mary se reconcilia com seu noivo George, e um diário intitulado "Diary of My Immortal Life and Adventures", pertencente a Drakula, é encontrado — Mary insiste para que ele seja descartado.

O que torna "Drakula halála" ainda mais fascinante é que ele é, hoje, um filme perdido. Nenhuma cópia sobreviveu. Restaram apenas quatro fotografias promocionais e a novelização. Essa ausência física transforma o filme em um fantasma histórico, especialmente por ser anterior ao icônico "Nosferatu" (1922), o que o colocaria como a primeira obra vampírica do cinema.

Apesar de supostamente ter sido apresentado em Viena em 1921, não há registros confiáveis da época que confirmem a exibição. O primeiro documentado ocorreu em Budapeste, em abril de 1923. A ausência de material físico, somada às diferenças marcantes em relação ao romance de Stoker, mantém o filme no centro de discussões entre historiadores e cinéfilos. Para alguns, "Drakula halála" é apenas uma apropriação distante do mito de Drácula; para outros, representa um elo primordial — ainda que fragmentado — na construção da tradição vampiresca no cinema mudo.

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