"Nina", foi exibida entre 27 de junho de 1977 e 13 de janeiro de 1978, com um total de 142 capítulos no horário nobre das 22 h. Escrita por Walter George Durst, com roteiro final de Walter Avancini e direção de Fábio Sabag, a produção reuniu um elenco de grandes nomes da época, como Regina Duarte, Antônio Fagundes, Rosamaria Murtinho, Mário Lago e Isabela Garcia nos papéis centrais. Ambientada nos anos 1920, a novela misturou uma estética de época com debates sociais que ecoavam a própria década de sua produção, um encontro entre tradições conservadoras e os primeiros sinais de transformações culturais no Brasil da década de 1970.
A gênese de “Nina”, no entanto, está intimamente ligada à censura imposta pelo regime militar no Brasil. Originalmente, o autor Walter George Durst preparava outra trama, “Despedida de Casado”, como sucessora de “Saramandaia” no mesmo horário das 22 h. A produção dessa novela estava adiantada, com capítulos gravados e chamadas já no ar, quando, em 24 de dezembro de 1976, a Censura Federal vetou sua exibição sob a alegação de que o tema, a separação de casais, amor livre e conflitos geracionais, era “prejudicial à moral e aos bons costumes”. Com isso, a Globo precisou cancelar o projeto poucos dias antes da estreia prevista e buscar uma alternativa para a faixa nobre.
Diante do veto, a emissora optou por reprisar a novela “O Bem Amado” como um “tapa-buraco” na programação enquanto Durst escrevia às pressas uma nova trama que pudesse ocupar a faixa de “Despedida de Casado”. Assim nasceu “Nina”, que reaproveitou grande parte do elenco originalmente escalado para a novela censurada, incluindo Regina Duarte e Antônio Fagundes, fazendo dessa a primeira produção em que os dois contracenaram juntos. Essa substituição imposta pelos censores acabou por moldar a identidade final da obra, que, embora bem produzida, enfrentou dificuldades de audiência e críticas pela maneira como foi concebida em tempo reduzido.
No núcleo dramático de “Nina”, acompanhamos a jornada da personagem-título, uma professora progressista que desafia o rígido sistema de um colégio conservador ao lutar pelo direito de matrícula de uma aluna excluída por preconceito social. Ao confrontar o diretor da escola, Nina se torna símbolo de resistência diante de um ambiente tradicionalista que reprime ideias inovadoras. Ao mesmo tempo, a trama desenvolve um triângulo amoroso com o imigrante Bruno (Antônio Fagundes) e a antagonista Arlete (Rosamaria Murtinho), intensificando conflitos pessoais em meio ao pano de fundo social da década de 1920.
Apesar dos investimentos artísticos, de elenco e da produção cuidadosa, incluindo cenários externos gravados em locais como a Estação da Luz em São Paulo e bairros tradicionais do Rio de Janeiro, “Nina” acabou sendo prejudicada pela sombra da censura e por sua concepção apressada, resultando em uma recepção morna junto ao público.

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