A VERSÃO BRASILEIRA TELEVISIVA DE E O VENTO LEVOU

 

Em 6 de março de 1956, uma terça-feira, a TV Tupi de São Paulo estreava sua adaptação ao vivo de "E o Vento Levou", baseada no célebre romance de Margaret Mitchell, que já havia conquistado enorme popularidade com o livro e, posteriormente, com sua adaptação para o cinema. Exibida às terças e quintas-feiras, inicialmente às 21h30. Em algumas ocasiões durante o mês de maio, a novela passou a ser apresentada às 22h. A produção permaneceu no ar até 19 de junho de 1956.

A novela foi adaptada por Dionísio Azevedo, que também dirigiu a produção. Em uma época em que toda a programação era realizada ao vivo, a montagem exigiu um intenso trabalho da equipe da emissora. Reportagens publicadas antes da estreia destacavam que a produção havia enfrentado estudos e preparativos extremamente trabalhosos para transportar à televisão uma história de tamanha grandiosidade. Os jornais afirmavam que todos os obstáculos haviam sido superados para colocar o projeto no ar.

A expectativa em torno da produção era bastante elevada. A imprensa da época classificava "E o Vento Levou" como um dos romances mais famosos do mundo, ressaltando seu enorme sucesso tanto nas livrarias quanto nos cinemas. As reportagens também destacavam o cuidado da TV Tupi na montagem, descrevendo-a como uma produção "rigorosamente caprichada" e de "alta responsabilidade", além de apostar que conquistaria o público.

No papel da protagonista Scarlet O'Hara estava Maria Fernanda, apontada pelos jornais como uma escolha bastante acertada. As publicações destacavam sua semelhança com Vivien Leigh, atriz que eternizou a personagem na adaptação cinematográfica, afirmando que essa característica ajudava a preservar o encanto da história. Ao seu lado, Lima Duarte interpretava Rhett Butler. Segundo a imprensa, o ator possuía o porte e o cinismo do personagem, lembrando Clark Gable, porém mais jovem.

O elenco principal ainda reunia Lia de Aguiar como Melanie Hamilton, Fábio Cardoso vivendo Ashley Wilkes e Jaime Barcellos no papel de Gerald O'Hara. Também participavam da produção Geraldo Lousano, Luiz Gustavo, Renato Cardoso, Geni Prado, entre outros.

A adaptação procurava recriar na televisão brasileira a atmosfera do sul dos Estados Unidos durante a Guerra Civil Americana e o período da Reconstrução, preservando o romance entre Scarlet O'Hara e Rhett Butler, além dos conflitos familiares e sociais que fizeram da obra de Margaret Mitchell um dos maiores clássicos da literatura do século XX.

Produzida integralmente ao vivo, como era tradição da televisão brasileira nos anos 1950, "E o Vento Levou" representou mais um dos grandes desafios assumidos pela TV Tupi em seus primeiros anos. Embora nenhuma gravação da novela tenha sido preservada, sua realização demonstra o esforço da emissora em adaptar obras de grande prestígio internacional para a televisão brasileira, contribuindo para consolidar o formato das telenovelas e das produções dramáticas exibidas naquele período.


FONTES

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090972_10&pesq="e%20o%20vento%20levou"&pasta=ano%20195&pagfis=30159

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090972_10&pesq="e%20o%20vento%20levou"&pasta=ano%20195&pagfis=30319

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=090972_10&pesq="e%20o%20vento%20levou"&pasta=ano%20195&pagfis=30439

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=003581&pesq="e%20o%20vento%20levou"&pasta=ano%20195&pagfis=105121

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093351&pesq="e%20o%20vento%20levou"&pasta=ano%20195&pagfis=38722

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093351&pesq="e%20o%20vento%20levou"&pasta=ano%20195&pagfis=39069

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093351&pesq="e%20o%20vento%20levou"&pasta=ano%20195&pagfis=40041

https://www.museudatv.com.br/programas/e-o-vento-levou/

 *A data de encerramento da novela, foi encontrada na edição de “Diário da Noite” do dia 19 de junho de 1956, uma terça-feira. Por algum erro de impressão da época, a data do jornal está como 19 de junho de 1955 (um domingo).

 


Rodrigo Veninno

Rodrigo Veninno Rodrigo Veninno é o autor do site Os Anos Perdidos, onde escreve sobre cinema mudo e clássico desde 2015. Entusiasta do cinema mudo e clássico, especialmente de filmes produzidos e dirigidos por mulheres, interessa-se também pela preservação e redescoberta de filmes perdidos. É autor dos livros "As Mulheres Pioneiras do Cinema" e "Viagem ao Cinema Mudo".

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